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José Mojica Marins, o Zé do Caixão

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(1936 – )

Ator e diretor cinematográfico brasileiro, nascido na Vila Mariana, em São Paulo, Estado de São Paulo, também conhecido como Zé do Caixão, seu personagem mais famoso, que desenvolveu um estilo próprio de filmar que, inicialmente desprezado pela crítica nacional, passou a ser reverenciado após seus filmes começarem a ser considerados cult no circuito internacional. Filho de artistas circenses de origem espanhola, ainda criança passava horas lendo gibis, assistindo a filmes na sala de projeção do Cinema em que seu pai trabalhava, brincava de teatro de bonecos e montava peças com fantasias feitas de papelão e tecido. Depois que ganhou uma Câmera V-8, aos 12 anos, não mais parou de fazer cinema, essa era a sua vida. 

Autodidata, montou uma escola de interpretação para amigos e vizinhos e quando tinha 17 anos, depois de vários filmes amadores, fundou com ajuda de amigos, a Companhia Cinematográfica Atlas. Especializado em terror escatológico, criou uma escola de atores (1956), onde na década seguinte, montaria uma sinagoga (1964), no bairro de Brás, onde fazia experiências com atores amadores, usando insetos para medir sua coragem. Criou um personagem popular sem basear-se em nenhum mito do horror conhecido mundialmente, o serial-killer Zé do Caixão. No primeiro filme Zé do Caixão era um homem desiludido com a vida, por não conseguir uma mulher fértil que lhe desse o filho perfeito. No segundo filme, depois de escapar de duas almas penadas, inicia seu reinado de terror realizando até mesmo uma viagem ao inferno. O mais importante filme da série foi O Despertar da Besta – Ritual dos Sádicos (1969), e foi censurado pelo Governo Militar, Durante essa ditadura militar lutou bravamente contra o ostracismo e a censura. Fez e apresentou na Rede Bandeirantes de televisão, uma série de muito sucesso intitulada Além, muito Além do Além (1967-1968). Depois estreou na TV Tupi (1968) com a série de O Estranho Mundo de Zé do Caixão, com atores consagrados como Lima Duarte, uma série de apenas 13 episódios. Em Exorcismo Negro (1974), o personagem encontrou-se com seu criador! Com o final da censura e com o pseudônimo de J. Avelar, dirigiu vários de filmes de sexo explicito (1976-1980), atividade que interrompeu no início da década seguinte para voltar a interpretar seu personagem mais famoso. 

Estreou através da Rede Record uma nova série: Um Show do Outro Mundo (1981), com contos de horror apresentados por Zé do Caixão, um programa durou 12 episódios. Voltou a Bandeirantes (1996), desta vez como apresentador do Cine Trash, onde eram exibidas produções de horror estrangeiras. 

Zé do Caixão também apareceu muito em revistas em quadrinhos especializadas em horror, como em À Meia-Noite Levarei sua Alma, quadrinização oficial do filme. Escreveu para o teatro como a peça Zé do Caixão e Lampião no Inferno e também lançou um livro intitulado: As Crônicas de Terror do Zé do Caixão (1993). Outros cineastas, como Jairo Ferreira (1978), Ivan Cardoso (1978) e Godofredo Telles Neto (1980), documentaram a vida e obra do grande mestre do terror nacional e nos Estados Unidos, tornou-se reverenciado e conhecido apenas como Coffin Joe. 

OBS: Segundo seu criador, o nome verdadeiro de seu personagem Zé do Caixão seria Josefel Zatanas, que nascera numa família controladora de uma rede de agências funerárias. Durante a Segunda Guerra Mundial ele se alistara na FEB – Força Expedicionária Brasileira e abandonara sua noiva. Quando retornou ao Brasil, Josefel encontrou sua noiva casada com o prefeito da cidade. Por ter se tornado uma pessoa amarga e sem sentimentos, Josefel recebe o apelido de Zé do Caixão. Seu objetivo é dar continuidade a seu sangue, através do filho perfeito, gerado pela mulher ideal. Por outro lado, para criar seu personagem, baseou-se num pesadelo que havia tido, onde uma figura toda de negro o arrastava pelo cemitério até sua catacumba. Acordou em pânico e perdeu o sono, mas anotou tudo e o personagem estreou com À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1963). Por falta de um ator, pois não havia nenhum que se submetesse à caracterização do personagem, o autor transformou-se em Zé do Caixão. Incluisive, na época, estava de barba, por causa de uma promessa de família. Com o tempo o nome do personagem passou a confundir-se com o do própirio autor e lhe trouxe praticamente toda sua fama.

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