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Edgard Carone

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Historiador marxista brasileiro nascido em São Paulo, que contou, como nenhum outro, a história da República e do movimento operário e esquerdista brasileiro. Filho de um imigrante libanês culto e rico, interessou-se pelas idéias esquerdistas na década da II Guerra Mundial. Educado numa das melhores escolas paulistas, o Colégio Rio Branco, e interessou-se por história ao trabalhar para o conceituado sociólogo brasileiro Aziz Simão.

Sua tarefa era ler para o cientista já quase cego, obras como O Cavaleiro da Esperança – a vida de Luís Carlos Prestes, de autoria de Jorge Amado. Formou-se em História, pela Universidade de São Paulo (1948) e nos doze anos seguintes, ficou recluso na fazenda que seu pai tinha em Bofete, no interior de São Paulo, pesquisando ativamente sobre o período republicano, sobretudo os movimentos revolucionários ocorridos nas duas décadas anteriores e apaixonou-se por esse momento histórico nacional.

A influência do seu irmão Maxim, que era filiado ao Partido Comunista Brasileiro, o PCB, e a amizade com intelectuais de esquerda, como Aziz Simão, Antônio Cândido, Paulo Emílio Salles Gomes e Mário Pedrosa direcionaram a construção do seu pensamento político. Simpatizante do PCB, quando da cisão comunista (1962) ficou do lado do grupo liderado por Prestes que constituiria o PC brasileiro. Publicou Revoluções do Brasil Contemporâneo (1922-1938) (1965), sua primeira obra.

Ele acreditava que para compreender o Brasil, principalmente após o golpe militar (1964), era preciso conhecer o período republicano (1889-1964), o processo de desenvolvimento do País, e a luta de classes. Decidiu, então, escrever sobre a República, uma obra de mais de dez livros relacionados a esse tema (1969-1985) que lhe conferiu reconhecimento e destaque entre os historiadores brasileiros. A carreira de professor universitário teve início na Fundação Getúlio Vargas, e depois se transferiu para a USP na qual tornou-se professor titular de História do Brasil.

Doutorou-se (1971), defendendo a tese União e Estado na vida política da Primeira República, que seria publicada sob o título República Velha II – Evolução política e, finalmente, concluiu a sua livre-docência (1985). Com respeito aos movimentos operário e de esquerda do Brasil, seu principal trabalho foi Movimento Operário no Brasil, em três volumes (1979-1984), onde reuniu documentos e comentários relativos à organização e luta dos trabalhadores brasileiros (1877-1984). Morreu como sempre viveu, longe dos holofotes da mídia e dos salamaleques acadêmicos, em São Paulo, aos 79 anos.

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