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01/06/2012 09:58

Guerra nas Estrelas

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GUERRA NAS ESTRELAS

"Quando o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, anunciou, em março de 1983, o projeto Iniciativa de Defesa Estratégica (IDE), mais conhecido como "guerra nas estrelas", esse ambicioso plano já tinha sua central de operações. Localizava-se no arenoso atol de Kwajalein, nas ilhas Marshall (Micronésia, Pacífico Norte), e consistia numa base secreta de alta tecnologia. Ali, um grupo selecionado de cientistas civis e militares pesquisava e desenvolvia sistemas antibalísticos e de rastreamento no espaço. Ali também ocorreu a façanha pioneira que consistiu em explodir, com um míssil teleguiado, outro projétil nuclear em pleno ar. (...)

Pela primeira vez desde que se iniciou a corrida espacial, conseguia-se interceptar um míssil na alta atmosfera. Tornava-se possível exploldir ogivas atômicas no espaço, durante o curto intervalo em que elas se dirigem para o alvo. Era, afinal, a prova da viabilidade do projeto "guerra nas estrelas", que prevê o uso do espaço cósmico para a instalação de escudos defensíveis antimísseis. Seu papel inicial: proteger o território e as instalações militares americanas contra os 1.400 mísseis balísticos intercontinentais do arsenal soviético, presumivelmente baseados em terra.

A chave da tecnologia da IDE consiste no uso de armas de energia dirigida: feixes de partículas atômicas ou raios laser que têm velocidade superior à dos mísseis convencionais (de dezenas de quilômetros por segundo até a velocidade da luz, 300.000km/s, contra apenas alguns quilômetros por segundo dos mísseis). Segundo os defensores do projeto, seria essa a única forma de neutralizar um ataque nuclear nos cincos primeiros e cruciais minutos a partir do seu lançamento: os sistemas antibalísticos então vigentes baseavam-se em foguetes capazes de destruir as ogivas atacantes nos dois últimos minutos de sua trajetória, quando os projéteis reingressam na atmosfera.

Já os satélites militares em órbita poderiam detectar o disparo de mísseis intercontinentais e acionar o sistema ainda durante a sua rota. (...)

(...) Mas não se pode considerar o IDE uma proteção infalível, porque restam os mísseis lançáveis de submarinos, os mísseis Cruise e os superbombardeiros, que em conjunto são capazes de reduzir a garantia de invulnerabilidade para 50%.

Por isso, fazendo coro com parte do Congresso e da opinião pública dos E.U.A., o Kremlin afirmava que o programa era oneroso e pouco eficaz na prática. Ele poderia ser neutralizado - concluiu um relatório oficial soviético - por apenas 1 ou 2% do custo total do projeto de Reagan, estimado em 1 trilhão de dólares."
(Adaptado de Guerra na paz. Os conflitos desde 1945. Rio de Janeiro, Rio Gráfica, pp 1168-9.)





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