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O Decadentismo e o Simbolismo

1Podemos definir o decadentismo, como sendo a forma ancestral do Simbolismo. A divulgação do termo decadente acontece através de um artigo de Paul Bourget, Théorie de La Décadence (1881), onde é analisada a idéia de pessimismo e a natureza da decadência que era observada em Baudelaire. A revista Le Décadent (1886), determina o espírito de decadência.

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No final do século XIX, o homem estava vivendo tantas sensações difusas que ele acabou até mesmo se deixando levar por um certo pessimismo. Muitos problemas sociais povoavam o cenário da Revolução Industrial. Era preciso observar vários cenários e compreender a estética do mundo, mas nem sempre angústias eram resolvidas a partir de tal olhar.

Era essa escola decadentista que se alastrava pela Europa. Os artistas, testemunhos desse período, estavam voltados para si mesmos. Ficavam isolados, soltando impressões e intuições que refletiam o tédio do mundo que o circundava.

Do ponto de vista histórico, o Simbolismo teve raízes profundas no Romantismo ultra. Também bebeu na escola do Realismo, Naturalismo e Parnasianismo. Começou na França e teve seguidores inclusive na classe burguesa. As marcas morais e espirituais também eram observadas em relação ao cenário caótico. Apenas o prazer poderia tirar momentaneamente o homem dessa decadência. “A sociedade se desagrega sob a ação corrosiva de uma civilização deliqüescente. O homem moderno é um insensível” – afirma o Manifesto decadente.

O poeta Charles Baudelaire estava vivendo esse momento e, em As flores do mal, mostra a estética do Simbolismo. Em poemas como Spleen, Baudelaire mostra o sentimento de tédio existencial que aprisionava os humanos.

Esses humanos que ainda não enxergavam a saída.
Quando o céu baixo e hostil pesa como uma tampa
Sobre a alma que, gemendo. Ao tédio ainda resiste,
E do horizonte todo enleando a curva escampa,
Destila um dia escuro e mais que as noites tristes,

Quando a terra se torna em úmida enxovia
Onde a Esperança, como um morcego perdido,
Nos muros vai bater a asa tímida e fria
E a cabeça ferir no teto apodrecido;

Quando a visão. A escorrer suas cordas tamanhas,
De uma vasta prisão as grades delineia,
E a muda multidão das infames aranhas
No cérebro da gente estende a teia,

Sinos badalam, de repente, furibundos
E lançam contra o céu um rugido insolente,
Como espíritos que, sem pátria e vagabundos,
Começam a gemer recalcitrantemente. (FM, p. 88 )

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