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A política exterior do segundo Reinado

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6. A política exterior do Segundo Reinado 

A Questão Christie 

 


O Império brasileiro sempre teve influência da Inglaterra nas diretrizes da política externa.

Durante o Segundo Reinado a relação entre os dois países foi de extrema importância para a diplomacia imperial. O único momento do século XIX que houve contestação entre o Brasil e a Inglaterra foi quando o liberalismo acusou a nação britânica de interesse em relação à destruição do tráfico negreiro. 

A Inglaterra pressionava para que houvesse a extinção do tráfico negreiro e este fato entrava em contradição aos interesses dos escravagistas brasileiros. Com isso, os traficantes despertaram um sentimento antibritânico que se espalhou pelas camadas populares. 

Esse ressentimento se ampliou ainda mais quando em 1842 a Rainha Vitória se recusou a admitir a Grã-Cruz do Cruzeiro do Sul, fato que foi considerado pelos brasileiros uma humilhação. 

As agressões eram cada vez mais constantes entre os dois países. E no ano de 1844, o Brasil iniciou um ataque contra a Inglaterra. As taxas alfandegárias da Tarifa Alves Branco* foram suspensas. 

Em contrapartida os ingleses instituíram o Bill Aberdeen, uma legislação que impedia o tráfico de escravos entre a África e a América, atitude que declarava uma guerra.
Em 1850, as agressões foram ocultadas mediante a Lei Eusébio Queirós, reaparecendo novamente em 1861 e 1865, com a Questão Christie que causou definitivamente a quebra das relações diplomáticas entre os dois países. 

*Tarifa Alves Branco
a) Medida protecionista de elevação das taxas alfandegárias às mercadorias estrangeiras que desembarcaram no País.
b) Atitude tomada pelo ministro da Fazenda Manuel Alves branco.
c) Percentuais estabelecidos: 30 a 60%.
d) Objetivo: aumentar a arrecadação do Estado Imperial, já que as tarifas alfandegárias constituíam a principal fonte de recursos do Império. 

Os incidentes da Questão Inglesa
Os incidentes que envolveram Brasil e Inglaterra geraram a Questão Christie, nome que teve origem do embaixador inglês no Brasil, Willian Christie, que com suas atitudes incompetentes e pela sua prepotência fez com que dois incidentes se tornassem numa complicada questão diplomática.
O primeiro incidente ocorreu em 1861, quando o navio inglês “Príncipe de Gales” naufragou no Rio Grande do Sul, e toda a carga que estava no interior do navio desapareceu, e segundo os ingleses esta carga teria sido roubada pelos brasileiros. Willian Christie, mesmo sabendo que as autoridades brasileiras estavam investigando sobre a suposta pilhagem, exigiu uma indenização por parte dos brasileiros, e requeria também um oficial britânico presente nas apurações feitas pelo governo brasileiro, que por sua vez não deu atenção às exigências do embaixador.
Os ingleses se viram incapacitados de conquistar a vitória nessa causa, então só encontraram uma solução para tentar desvirar a situação, que foi iniciar uma ameaça armada, enviando um navio de guerra ao Rio Grande do Sul, para amedrontar o governo brasileiro, que ignorou as atitudes da diplomacia britânica.
O segundo incidente ocorreu em 1862 no Rio de Janeiro, aumentando ainda mais o clima tenso entre as duas nações. Tudo aconteceu quando três oficiais da Marinha Britânica, usando os trajes civis, passeavam pela Tijuca embriagados causando tumultos, desordens e desrespeitando a população. Até que foram detidos pelas autoridades brasileiras em um posto policial, onde também se envolveram em uma briga com os soldados de guarda.
Este acontecimento seria algo irrelevante se não fosse a contestação de William Christie, que o transformou num grave conflito. Outra vez o embaixador fez novas exigências, como punição para os soldados de guarda, demissão do oficial da guarda, e um pedido de desculpas oficializado do governo brasileiro. 

A Questão
Willian Christie ameaçou o Império brasileiro caso as suas exigências não fossem atendidas. No entanto, os seus requerimentos foram recusados por Dom Pedro II, pois aceitar as exigências para escapar das ameaças, não estava de acordo com a soberania nacional.
Em dezembro de 1862 Willian Christie, em resposta ao Império brasileiro, deu um ultimato. Ele ordenou que navios de guerra aprisionassem navios que partissem ou chegassem ao Rio de Janeiro, foram recapturados 5 navios mercantes e levados para uma baía.
A população do Rio de Janeiro diante de tanta indignação, fez manifestações por toda a cidade, ameaçando as propriedades inglesas. O Império brasileiro não teve outra saída, e propôs ao embaixador o pagamento da indenização pelo primeiro incidente do “Príncipe de Gales”, a proposta foi aceita por Christie. No entanto, o Império não fugiu da briga, e protestou, armando um novo ataque contra a Grã-Bretanha. 

O arbitramento da Questão
O segundo incidente foi decidido por arbitramento. Leopoldo I, rei dos Belgas foi escolhido para ser o árbitro. Sua decisão estava à favor do Império brasileiro, pois agora a Inglaterra é que teria que pedir desculpas oficialmente ao Brasil pelas violências que causou contra o Império e pelas exigências desapropriadas feitas pelo embaixador Willian Christie. O palco da batalha diplomática agora estava em Londres, onde estava o embaixador brasileiro Carvalho Moreira, exigindo o pedido de desculpas do governo britânico e o pagamento dos prejuízos causados com o aprisionamento dos navios no Rio de Janeiro. Como a Inglaterra se recusou em atender as exigências do embaixador brasileiro, o Imperador Dom Pedro II rompeu as relações diplomáticas com o governo britânico, e o embaixador brasileiro retirou-se de Londres. Em 1865, as duas nações restabeleceram as suas relações. 

As campanhas do Prata
A guerra da cisplatina foi um conflito que ocorreu de 1825 até 1828, envolvendo os países Brasil e Argentina.
O motivo desta batalha era pelo domínio da Província de Cisplatina, atual Uruguai, uma região que sempre foi cobiçada pelos portugueses e espanhóis.
No ano de 1680, Portugal fundou a região Colônia do Sacramento, que foi o primeiro nome dado á região de Cisplatina. Em 1777, o território passou a ser posse da Espanha.
Em 1816, a coroa Portuguesa, que estava no Brasil, ocupou novamente a região, nomeando-a como Província da Cisplatina.
No ano de 1825, um novo movimento surge em prol da libertação da província. Mas os moradores de Cisplatina se recusam a fazer parte do Brasil, e João Antonio Lavalleja, organiza um movimento para declarar independência da região. A Argentina por interesse no território da Cisplatina, ajuda no movimento, ofertando, força política, armas, alimentos, etc. O Brasil se revoltou declarando guerra à Argentina e ao revoltosos da região de Cisplatina.
Foram muitos conflitos entre os combatentes, e com tudo isso muito dinheiro público foi gasto, desequilibrando a economia brasileira. E além de tudo, o Brasil foi vencido na batalha.
No ano de 1828, sob interferência da Inglaterra, foi firmado um acordo entre Brasil e Argentina, que foi marcado pela independência da Província da Cisplatina seria independente. 

A intervenção contra Oribe e rosas
No Uruguai, Manuel Oribe foi eleito pelo partido Blanco, que era formado por estancieiros, que viviam na fronteira entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai.
Oribe se aliou á Juan Manuel Rosas, presidente da Argentina, com o objetivo de unificar os países de Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia.
Isso era ameaçador para o Brasil, Inglaterra e França, que começaram a lutar contra as intenções de Oribe e Rosas.
No ano de 1852 o Brasil invade o território de Uruguai e Argentina. Rosas e Oribe são derrotados, e Frutuoso Rivera assume o poder do Uruguai e Urquiza sobe no poder na Argentina. 

A intervenção contra Aguirre
Tudo começou quando, no ano de 1864, Argentina e Uruguai cortaram as relações.
O Uruguai que estava passando por um momento de maior alvoroço, já tinha rixa contra os fazendeiros brasileiros, que recuperaram poder de terras que estavam invadidas, e muitos brasileiros que moravam no Uruguai eram vítimas de perseguições e desrespeito.
O Brasil tentava entrar em um acordo com o Uruguai, e depois de algumas tentativas não obtiveram retorno, do presidente Atanásio da Cruz Aguirre.
As Tropas que estavam na fronteira faziam o possível para que as batalhas do Uruguai influenciassem o Rio Grande. Mas mesmo assim não teve como evitar e a guerra começou a atingir o território brasileiro. Foi então, que o general Venâncio Flores, que tinha poder no Uruguai, pediu apoio das tropas brasileiras, e que uma parte do Exército Brasileiro, fosse ficar em Montevidéu.
As forças brasileiras que estavam localizadas na fronteiras tinham ordens de se vingarem e fazer de tudo para preservar os brasileiros.
Com toda a força das tropas brasileiras e a cooperação de Venâncio Flores, no final de 1864 formou-se a vila de Salto no rio Uruguai, que sem ter formas para resistir, foi obrigada a se render.
Ainda no ano de 1864, as tropas brasileiras invadiram o Uruguai conquistando vários territórios, como Mello, Paisandu, e muitos outros, chegando a Montevidéu.
Aguirre resolve invadir o território brasileiro, mas no ano de 1865, o seu mandato termina, e Venâncio Flores, seu sucessor provisório, declara o fim da guerra, e em 20 de fevereiro do mesmo ano, é assinada a convenção de paz. E as terras do Uruguai que estavam no poder do Brasil foram devolvidas. 

a guerra do paraguai
Em 1864, teve inicio a Guerra do Paraguai, uma das mais marcantes que aconteceu na América do Sul.
Contra o presidente do Paraguai, Francisco Solano López, havia três países juntos formando o Tratado Tríplice Aliança: Brasil, Uruguai e a Argentina.
O Paraguai era oficialmente independente, não sofria com o analfabetismo, e era um país que não mantinha escravos. Era considerado o país mais desenvolvido da América do Sul. Todo o desenvolvimento paraguaio fez-se com capital nacional.
Para a Inglaterra, o modelo econômico do Paraguai era muito perigoso e, portanto, tinha que ser destruído.
Os ingleses não estavam satisfeitos em saber que o Paraguai poderia controlar a navegação Rio Paraguai. E o Brasil estava descontente com a configuração das fronteiras.
Os ataques aconteceram pelos Rios Paraná e Paraguai. No ano de 1869, Caxias (Marquês de Caxias) entrou em Assunção e em seguida nas tropas aliadas.
O fim da guerra ficou marcado pela morte de López, que ocorreu no ano de 1870. 

Características da Guerra do Paraguai
a) Situação do Paraguai antes da guerra: nação próspera; nacionalismo econômico; produção industrial; combate ao analfabetismo.
b) Formação da Tríplice Aliança, em 1865, para invadir o Paraguai: Brasil, Argentina e Uruguai.
c) Projeto expansionista de Solano Lopez: Formar o "Grande Paraguai", o que daria para seu país uma saída para o mar e ampliaria a área de cultivo agrícola. O grande Paraguai seria formado pelo Paraguai, Uruguai, Rio Grande do Sul, parte do Mato Grosso e as províncias argentinas de Corrientes e Entre-Rios.
d) Endividamento da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai).
e) Fortalecimento político do exército brasileiro, que se transformou num instrumento de contestação ao império escravista e, conseqüentemente, numa viga de sustentação das campanhas abolicionista e republicana. 

Conseqüências da Guerra
Todos os países envolvidos tiveram conseqüências que marcaram a história de cada um deles.
Destruição do Paraguai. Cerca de 75% da população foi dizimada pela guerra (genocídio). A indústria paraguaia foi destruída. O país teve que pagar uma enorme indenização de guerra.
No Brasil, as conseqüências também foram trágicas, com cerca de 50000 mortos, o país teve um considerável aumento da sua dívida externa, mesmo conseguindo dominar os territórios do Paraguai que tanto queria.
Uma conseqüência da guerra fundamental para o Brasil, foi o caso do Exército que se fortaleceu, e após a guerra, o setor militar do Brasil também se modernizou. Grande parte dos oficiais estava em contradição com os dirigentes monarquistas, que expunham somente os interesses da aristocracia rural e da alta burocracia. Sendo assim, os líderes do Partido Republicano, conseguiram acabar de vez com o vínculo dos militares com a monarquia atraindo-os para o lado republicano.

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