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Álvares de Azevedo (São Paulo, SP, 1831 – Rio de Janeiro, RJ, 1852)

1Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu no ano de 1831, em São Paulo. Estudou no Colégio Pedro II e veio para São Paulo no ano de 1848, para estudar Direito. Ele fez parte dos grupos políticos e boêmios da faculdade, fazendo parte dessa maneira da Sociedade Epicuréia e A Bucha. Ele foi o representante da escola byroniana, da poesia egótica e do ultra-romantismo. Álvares de Azevedo faleceu no ano de 1852.

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Obra.

Poesia:

Lira dos vinte Anos (1853).

Prosa Narrativa:

Noite na Taverna (1855).

Teatro:

Macário (1855).

Poemetos:

Pedro Ivo (1855).
O Poema do Frade (1890).
Conde Lopo (1866).

Alvares de Azevedo
O poeta moribundo

Poetas! amanhã ao meu cadáver
Minha tripa cortai mais sonorosa!…
Façam dela uma corda e cantem nela
Os amores da vida esperançosa!

Cantem esse verão que me alentava…
O aroma dos currais, o bezerrinho,
As aves que na sombra suspiravam,
E os sapos que cantavam no caminho!

Coração, por que tremes? Se esta lira
Nas minhas mãos sem força desafina,
Enquanto ao cemitério não te levam,
Casa no marimbau a alma divina!

Eu morro qual nas mãos da cozinheira
O marreco piando na agonia…
Como o cisne de outrora… que gemendo
Entre os hinos de amor se enternecia.

Coração, por que tremes? Vejo a morte,
Ali vem lazarenta e desdentada…
Que noiva!… E devo então dormir com ela?
Se ela ao menos dormisse mascarada!

Que ruínas! que amor petrificado!
Tão antideluviano e gigantesco!
Ora, façam idéia que ternuras
Terá essa lagarta posta ao fresco!

Antes mil vezes que dormir com ela.
Que dessa fúria o gozo, amor eterno
Se ali não há também amor de velha,
Dêem-me as caldeiras do terceiro inferno!

No inferno estão suavíssimas belezas,
Cleópatras, Helenas, Eleonoras;
Lá se namora em boa companhia,
Não pode haver inferno com Senhoras!

Se é verdade que os homens gozadores,
Amigos de no vinho ter consolos,
Foram com Satanás fazer colônia,
Antes lá que no Céu sofrer os tolos!

Ora! e forcem um’alma qual a minha,
Que no altar sacrifica ao Deus-Preguiça,
A cantar ladainha eternamente
E por mil anos ajudar a Missa!

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