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A política externa da República Velha

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4. A política externa da república velha

A diplomacia brasileira da Republica Velha caracterizou perante alguns propósitos gerais: o centro diplomático que ficava em Londres foi transferido para Washington, os diplomatas brasileiros delimitaram as fronteiras brasileiras que estavam desocupadas e eram tão contestadas, o Brasil passou a ter uma participação mais representativa, se tornando um país ativo mundialmente

O ministro das Relações Externas, José Maria da Silva Paranhos Junior foi quem possibilitou essas mudanças, pois foi durante a sua administração (1902-1912) que ocorreram os principais momentos das relações exteriores. 

Reconhecimento da República

Após quatro da Proclamação da República no Brasil, a Argentina foi o primeiro país a reconhecer este novo regime. Já nos países da Europa, foi maior a espera pelo reconhecimento, pois eles aguardavam um Congresso Constituinte. Então quando se oficializou publicamente a Constituição de 1891, os países da Europa começaram a dar o reconhecimento ao governo brasileiro, sendo que a França foi o primeiro país a tornar isto um feito em meio a Europa, e a Rússia foi o último país a dar seu devido reconhecimento. 

Rompimento com Portugal
Em 1894, ano em que estava acontecendo a Revolta Armada, Saldanha da Gama embarcou junto com seus oficiais e marinheiros em um navio de guerra português, em direção ao Rio da Prata, pois o governo de Portugal não aceitou entregar os revoltosos para que fossem devidamente julgados, isso causou o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Portugal, que só foi reatada somente quando Prudente de Morais tomou o posse e começou a exercer seu mandato em 1895. 

A relação Brasil – Estados Unidos
No final do século XIX, a união entre Brasil e Estados Unidos ficou ainda mais forte, pois o país norte-americano se tornou o maior comprador de café, borracha e até mesmo de cacau. Esses investimentos aumentaram consideravelmente com a grande guerra, ao passo que caía a supremacia econômica e diplomática da Grã-Bretanha. Com o tempo, a união dos dois países, levou o Brasil a entrar numa ótima situação financeira, o que possibilitou a obtenção de produtos europeus, porém essa forte relação consolidou ainda mais a dependência do Brasil com os Estados Unidos. 

As Questões Limites

A monarquia brasileira deixou uma herança problemática para o Brasil Republicano, que foi a questão das fronteiras.
Tais questões só foram definitivamente resolvidas através de acordos diplomáticos, geralmente com arbitramento internacional. 

A questão de Palmas ou das Missões

Brasil e Argentina eram dois países que lutavam pelo pódio de maior potência da América do Sul.
O governo argentino considerava que os rios Iguaçu e Chapecó eram a fronteira deles com o Brasil, então tentavam ocupar o território de Palmas.
A questão foi solucionada mediante o arbitramento do presidente dos Estados Unidos Grover Clevand, com o Barão do Rio Branco na defesa do Brasil. E conforme o árbitro, a fronteira entre os dois países ficou definida pelos rios Pepiri-Guaçu e Santo Antonio, sendo assim a região de Palmas permaneceu no poder do Brasil. 

A questão do Amapá
O ano de 1895 foi marcado por grandes conflitos entre o Brasil e a França. Nesta época o governo francês queria parte do território do Amapá, pois desde o século XIX não reconhece o rio Oiapoque como a fronteira entre Amapá e Guiana.
Novamente a questão foi resolvida por arbitramento, desta vez pelo presidente do Conselho Federal Suíço, Walter Hauser. E mais uma vez quem defendeu o Brasil foi o Barão do Rio Branco. A decisão tomada pelo árbitro também favoreceu o Brasil, pois o rio Oiapoque foi reconhecido como fronteira entre Brasil e França, e isso assegurou ao Brasil o poder da região do Amapá. 

A questão da ilha de Trindade

Em meados de 1895 a Inglaterra reparou que a mais de um século não haviam habitantes na ilha de Trindade, então o governo inglês resolveu povoá-la, mas o Brasil reivindicou seus direito, e protestou.
Então a Inglaterra propôs resolverem o assunto da ilha através de arbitramento, mas o Brasil se recusou a resolver desta maneira, todavia, resolveu aceitar a intervenção de Dom Carlos I, rei de Portugal, porque lá existiam alguns documentos que provavam o descobrimento da ilha pelos portugueses.
Desta vez o ministro João Artur de Sousa Correia e o Marquês Soveral defenderam o Brasil em Londres, e em 1896 a Inglaterra se retirou da ilha de Trindade. 

A questão Pirara Foi uma grande disputa pela região do Pirara. Tudo começou quando a Inglaterra ocupou a região que era fronteira da Guiana Inglesa.
Com a chegada da Republica, a questão foi solucionada através do arbitramento pelo rei da Itália, Vitor Emanuel III. Desta vez, a decisão foi favorável aos ingleses. Sendo assim, a região foi dividida entre o Brasil e a Guiana Inglesa. 

A Questão do Acre 

O Acre era um estado ocupado por seringueiros, que trabalhavam na extração da borracha. Mas essas terras segundo o tratado de 1777 e 1867 pertenciam à Bolívia. Tudo se tornava mais complicado, quando em 1902, os bolivianos começaram a expulsar os seringueiros brasileiros de suas terras, sendo que a extração da borracha era primordial para o Brasil. Foi então que sob o comando de Plácido de Castro, proclamaram o Estado independente do Acre, fez isso pensando em trazê-lo ao Brasil. Mesmo com as batalhas o Barão do Rio Branco começou a defender os interesses brasileiros como ministro das relações exteriores, começou as negociatas que se resultou no Tratado de Petrópolis. Então o Brasil recebeu o Acre, e em troca cedeu à Bolívia uma pequena área no estado de Mato Grosso, uma quantia de 2 milhões de libras, e construiu a famosa estrada de ferro Madeira-mamoré, assegurando que as produções bolivianas escoassem pelo rio Amazonas. 

Participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial

Os alemães, diante da superioridade naval da Inglaterra, resolveram empreender uma guerra submarina sem restrições. Na noite de 3 de abril de 1917, o navio brasileiro "Paraná" foi atacado pelos submarinos alemães perto de Barfleur, na França. O Brasil, presidido por Wenceslau Brás, rompeu as relações com Berlim e revogou sua neutralidade na guerra. Novos navios brasileiros foram afundados. No dia 25 de outubro, quando recebeu a noticia do afundamento do navio "Macau", o Brasil declarou guerra à Alemanha. Enviou auxilio à esquadra inglesa no policiamento do Atlântico e uma missão médica. 

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