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A vírgula (,)

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A função da vírgula é representar a correspondente pausa do discurso oral. As pausas que a vírgula representa podem ter valor sintático ou entoativo. No primeiro caso, a vírgula é importante para definir a estrutura sintática do período. O segundo uso tem função retórica e orienta a colocação de pausas não sintáticas durante a elocução. 

Como regra geral, para garantir a correta interpretação do enunciado, a vírgula não deve interromper o sintagma, exceto nas enumerações que são um caso a parte. Agimos, nesse caso, da mesma forma que se procede no discurso oral, em que não usamos pausas que segmentem o sintagma. As pausas que a vírgula representa são as internas ao período. As pausas situadas nos limites do período são representadas pelos pontos simples, de exclamação e de interrogação. 

Não use vírgula entre sujeito e verbo, entre verbo e complemento verbal, entre objeto direto e objeto indireto, entre objeto indireto e objeto direto. Haverá momentos em que existirá uma pausa na oralidade, mas não empregue a vírgula entre esses termos sintáticos, quando diretamente ligados.
A principal função da vírgula é representar o equivalente morfema pausa do discurso oral. As pausas ajudam-nos a delimitar os componentes da estrutura sintática. Em muitos casos, a ordem dos itens e o contexto semântico são suficientes para o ouvinte interpretar corretamente o enunciado. Mas há situações em que a vírgula é fundamental à compreensão da mensagem. Isso ocorre principalmente nas enumerações e nas intercalações. 

Quando usamos ordens sintáticas pouco usuais, a vírgula também pode ser de grande utilidade para clarear o enunciado. O redator pode usar algumas vírgulas a mais do que pedem as regras ortográficas sempre que isso fizer bem à clareza. Também pode lançar mão dela para orientar de forma mais precisa a elocução do enunciado.

Como usar a vírgula? Seu uso está relacionado à respiração? 
Não. A vírgula depende da estrutura sintática da oração.
Às pessoas, na rua, foi sugerida uma questão. Pediu-se que colocassem vírgulas no seguinte texto: 

“O diretor de Recursos Humanos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos declarou que não haverá demissões
neste mês.” 

A maioria acertou. Não há vírgula.
“O diretor de Recursos Humanos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos” é o sujeito do verbo declarar. Foi ele,
o diretor, que declarou. 

Entre sujeito e verbo não há vírgula. 
Depois, “ …que não haverá demissões neste mês.”
Como a seqüência está na ordem direta, não há por que colocar vírgula.
Mas, às vezes, vírgula pode decidir o sentido do texto. 

O professor Pasquale fala da sua participaão no Programa Jô Soares, quando pediu a ele que escrevesse um telegrama. 

Irás voltarás não morrerás
Dependendo do sentido que se quer dar, ocorre a pontuação.
Irás. Voltarás. Não morrerás.
Irás. Voltarás? Não. Morrerás. 

Resumo. No primeiro caso não há por que usar a vírgula. O texto está na ordem direta e em seqüências diretas não se usa
pontuação.
No caso do telegrama pontua-se de acordo com aquilo que se quer dizer. A pontuação decide o sentido.

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