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Ártico

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Ártico

Região correspondente à área, tanto continental quanto marítima, que se estende ao redor do pólo norte. Abrange, além do oceano Glacial Ártico e suas ilhas, as porções mais setentrionais da Europa, Ásia e América. Teoricamente, limita-se ao S pelo círculo polar ártico, embora, na realidade, se estenda um pouco além dele. Seu contorno é irregular, com trechos a diferentes distâncias do pólo. O paralelo de 70º representa seu limite meridional no Alasca e na Sibéria, mas nas proximidades do Atlântico, surgem fortes contrastes: enquanto as costas do NE da Terra Nova, situada na latitude da Bretanha, são dominadas pela tundra, a Noruega setentrional desconhece o clima polar, graças à influência atenuante das águas quentes da corrente do Golfo (Gulf Stream). Três quintas partes das terras da região ártica situam-se fora das zonas permanentes geladas, ocupando uma área de 13.176.727 km2.

Geografia
Estrutura geológica e relevo. As terras árticas desenvolveram-se geologicamente em torno de quatro núcleos de antigas rochas cristalinas. O maior deles, o escudo Canadense, constitui a base de todas as terras árticas canadenses, exceto parte das ilhas Queen Elizabeth, e avança na direção E sob a baía de Bafflim, incluindo grande parte da Groelândia. O escudo de Angara situa-se entre os rios Khatanga e Lena, no N da Sibéria central, e o de Kolima encontra-se no NE da Sibéria. Em torno desses núcleos houve longos períodos de sedimentação e, consequentemente, foram parcialmente cobertos. Embora os pormenores do relevo em muitas partes da região ártica sejam conseqüência das glaciações do Pleistoceno, as principais divisões fisiográficas revelam estreita correlação com a estrutura geológica. Os dois maiores escudos, o Canadense e o Báltico, apresentam aspectos físicos semelhantes. A W da baía de Hudson, no SW da ilha de Baffim e na Carélia, o terreno é baixo e rochoso, a drenagem irregular, e há inúmeros lagos. As elevações (300 a 600 m de altitude) são parcialmente cobertas com depósitos glaciais. Onde as rochas sedimentares cobrem os escudos, como no centro-norte da Sibéria e N da baía de Hudson, surgem planícies, planaltos (recortados, muitas vezes, por estreitos vales) e colinas. No Canadá há principalmente planícies e planaltos, enquanto em torno do escudo da Angara predominam as colinas e mesmo montanhas. 

Além dos limites dos escudos, formaram-se extensas planícies sobre rochas sedimentares: na América do norte, as planícies do Mackenzie, as ilhas de Banks e Prince Patrick e as planícies árticas do NE do Alasca; na Europa setentrional, as planícies do Dvina do Norte e do Pechora; na Sibéria, o delta do Obi, as planícies setentrionais e ocidentais e, mais para E, as do Lena-Kolima. Essas planícies são em geral cobertas por numerosos lagos e cortadas por largos rios.
 
As maiores elevações encontram-se no NE da Sibéria e no Alasca. Picos de mais de 3.000 m erguem-se na cadeia de Cherski, de mais de 4.500 m em Kamchatka e ainda mais elevados no S do Alasca. Entre as montanhas existem amplas bacias drenadas por longos rios, como o Yukon e o Kolima. 

O gelo domina a região durante a maior parte do ano, recobrindo terras e águas. A superfície do oceano Glacial Ártico congela-se numa espessura de 3 a 4 m, formando uma massa compacta, a banquisa, que se fragmenta sob a ação do vento, dificultando a circulação. As terras também são revestidas de um manto de gelo; o congelamento do solo é perene até uma profundidade de 100 m e o degelo do verão só afeta uma camada de poucos centímetros. As geleiras formam-se quando a acumulação anual de neve, geada e outras precipitações sólidas excede a que é removida pelo degelo do verão. O excesso de neve converte-se lentamente em gelo. As mais extensas geleiras do hemisfério norte encontram-se na Groelândia. Seus fragmentos chegam freqüentemente ao mar, formando os icebergs.

Clima. É rigoroso e caracteriza-se por monótonos e longos períodos de frio constante, sucedidos por curtos verões. Durante os meses de estio, o sol não se põe, embora não se leve muito alto. No inverno, nunca aparece – é a noite polar -, e a temperatura se mantém em torno de –25ºC. Durante o inverno, o vento sopra tempestuoso, impossibilitando toda tentativa de circulação. Com chuvas raras, a região polar tem as características de um deserto. Advindo o degelo, o nevoeiro obscurece o céu, dificultando a navegação entre os blocos errantes de gelo. Graças à massa oceânica, o verão é relativamente benigno, chegando a ser ameno em certos pontos; e é esse papel suavizante da influência oceânica que torna possível, nessas regiões, a vida vegetal e animal. A oscilação anual da temperatura é extrema. Parece que o pólo frio da terra está logo ao S da tundra, próximo a Verkhoyansk (Sibéria), onde se registram temperaturas mínimas de –53ºC, ou seja, de 10 a 20ºC inferiores à temperatura mínima calculada para o pólo norte. Mas as da Antártida são ainda inferiores ás da Sibéria.

Flora. Quanto á vegetação, existe no continente a tundra, recobrindo o solo. Durante o breve mas intenso verão, a vegetação cresce com rapidez. Uma cobertura rasteira de musgos, liquens e gramíneas, além de pequenos arbustos, estende-se sobre o solo, salvo nos trechos gelados ou nas morainas em movimento. Muitas flores, de colorido vivo, enfeitam milhares de quilômetros quadrados das extensões árticas. Mais ao S, nos confins das regiões de clima temperado, encontra-se uma floresta de coníferas (Sibéria e margens da baía de Hudson).

Fauna. Os animais (ursos, renas-da-sibéria, caribus, alces e aves) deslocam-se no verão para o N, voltando, no inverno, para o S. A fauna ártica possui ainda o mocho-orelhudo (parente da coruja), martas e alcas. Durante o breve verão, a tundra é invadida por enxames de moscas e mosquitos, que atormentam homens e animais. No mar, além de grande variedade de peixes (salmão, bacalhau), vivem focas, morsas e baleias. Apesar da dificuldade de acesso a essas regiões, seus recursos animais tem sido explorados em excesso pelo homem branco, provocando o lento extermínio de algumas espécies.

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