A Carta de Caminha

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A transformação da Carta de Caminha

A DESCOBERTA

Seguimos nosso caminho
por esse mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos ave
E houvemos vista de terra

OS SELVAGENS

Mostrara-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados

AS MENINAS DA GARE

Eram três ou quatro moças
Bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olhamos
Não tínhamos nenhuma vergonha

MURILO MENDES – Veja, a seguir, o texto de outro poeta do Modernismo, Murilo Mendes (autor de Canção do Exílio), e a sua visão do século XVI.

A CARTA DE PERO VAZ

A terra é mui graciosa,
Tão fértil eu nunca vi.
A gente vai passear,
No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro.
Tem goiabas, melancias,
Bananas que nem chuchu.
Quanto aos bichos, têm-nos muitos,
De plumagens mui vistosas.
Tem macaco até demais
Diamantes tem à vontade
Esmeraldas é para os trouxas.

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