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Hong Kong


Em 1º de julho de 1997, Hong Kong volta à soberania da China, encerrando 156 anos de colonialismo britânico. Passa a se chamar Região Administrativa Especial de Hong Kong. Com a sua transferência - é o quarto mercado financeiro do mundo e o porto mais movimentado da Ásia -, a China amplia seu poderio econômico. A devolução segue o acordo selado em 1984 pelos governos da China e do Reino Unido, sob o lema "um país, dois sistemas". Eles são, efetivamente, bem diferentes: a China é a última potência comunista do planeta e Hong Kong é tida como a economia mais liberal existente, onde 2,3 mil multinacionais mantêm escritórios, incluindo 85 dos cem maiores bancos. A contradição entre os dois sistemas, no entanto, tem sido amenizada por causa das transformações ocorridas na China desde a década de 70. O país vem abrindo e modernizando sua economia por meio da implantação de zonas especiais, para onde são atraídas as empresas estrangeiras com a oferta de isenção de impostos e mão-de-obra barata. 

Fatos Históricos 
 
A China, derrotada na I Guerra do Ópio, cede, em 1842, a ilha de Hong Kong ao Reino Unido. A península de Kowloon, também parte do território, passa para o controle britânico em 1860 - no fim da II Guerra do Ópio -, enquanto os Novos Territórios são arrendados por 99 anos em 1898. Após a instalação da República Popular da China, em 1949, os comunistas rompem relação com o Reino Unido. 

Na década de 60, a administração de Hong Kong dá início a uma política de eliminação de impostos, taxas alfandegárias e encargos sociais para atrair investimento externo. 

Reintegração – Em 1985 é formada em Pequim uma comissão para elaborar a Lei Básica (Constituição), a ser implantada na colônia depois de sua entrega. O texto final, de 1990, determina que o governo chinês indicará o novo chefe executivo e que, até 2003, as vagas preenchidas pelo voto direto no Parlamento passarão para 30. 

As eleições diretas são incorporadas à vida política de Hong Kong na esteira das negociações de sua devolução para a China - até então, o Reino Unido nomeava os conselhos Legislativo e Executivo. Em 1986 ocorrem eleições municipais diretas e, em 1991, a população vai às urnas para escolher 18 dos 60 representantes do Conselho Legislativo. No ano seguinte, Chris Patten assume o governo, adotando durante seu mandato medidas que geram atritos com Pequim em virtude de seu forte teor democrático - como a eleição direta para todo o Legislativo, realizada em 1995, transgredindo a Lei Básica. O Partido Democrata de Hong Kong conquista o maior número de cadeiras. 

Enquanto o clima de confronto entre Hong Kong e o governo chinês se acentua, mais de 180 mil pessoas deixam a colônia entre 1992 e 1994. Ao mesmo tempo, com a abertura econômica chinesa, diversas empresas e fábricas de Hong Kong instalam filiais na China. O inverso também é verdadeiro: cerca de 60% dos investimentos externos chineses são em Hong Kong. 

Zona especial – Pelo acordo de 1984, Hong Kong deverá manter, pelo menos até 2047, seu sistema econômico e um alto grau de autonomia administrativa. A China responde pela política externa e pela defesa da ilha, como se fosse um protetorado. Existem, porém, dúvidas quanto a seu futuro político. A primeira prova ocorre logo após a cerimônia de devolução, realizada na passagem do dia 30 de junho para o dia 1º de julho. Mais de 2 mil pessoas saem às ruas em protesto pacífico contra a dissolução do Conselho Legislativo, substituído por um novo Parlamento nomeado pela China. Não há repressão, mas as autoridades chinesas advertem que as próximas manifestações devem ser autorizadas previamente pela polícia. O governo central promete eleições legislativas livres para 1998. Também causa protestos no território a chegada de 4 mil soldados do Exército chinês. Sua imagem ainda é associada ao massacre de 1989, na praça da Paz Celestial. Para governar Hong Kong, o governo escolhe o empresário Tung Chee-hwa, com quem tem boas relações. Ele assume o cargo junto com o Parlamento em 1º de julho. A expectativa é de que ele possa manter uma convivência harmoniosa entre os dois sistemas. 

Em 16 de julho, o Legislativo revoga cinco leis trabalhistas que permitiam negociações coletivas de salário e o uso de fundos sindicais para a atividade política. 

Queda na Bolsa – Grave crise financeira tem início quando a Bolsa de Valores de Hong Kong despenca no pregão do dia 23 de outubro. Em questão de horas, as principais bolsas do mundo tem quedas recordes. O declínio, de 10,41% - o maior registrado na história do mercado em um dia -, é provocado por um ataque especulativo contra a moeda local. Para fazer frente à ameaça de desvalorização do dólar de Hong Kong, as autoridades monetárias locais elevam as taxas de juro, o que faz cair a bolsa. Os analistas também apontam a sobrevalorização do mercado imobiliário de Hong Kong como a outra possível causa da queda da bolsa. A queda da bolsa de Hong Kong ocorre em meio a uma crise generalizada nos mercados financeiros de vários Tigres Asiáticos. A Tailândia desvaloriza sua moeda em julho, após sofrer ataque especulativo. Seguem-se a Malásia, Indonésia, Filipinas, Cingapura, Formosa e Coréia do Sul. A crise financeira atinge também o Japão, que tem o seu sistema bancário bastante enfraquecido.

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