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A descrição convencional

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6. A descrição convencional

Faça a leitura do texto abaixo e analise a técnica descritiva utilizada pelo autor para fazer uma descrição convencional de um cenário:

A praça, o templo. Lugar de encontro. Os homens reunidos para a discussão, para divertimento, para as rezas. Perguntas e perguntas, respostas, diálogos com Deus, passeatas, sermões, discursos, procissões, bandas de música, circos, mafuás, andores carregados, mastros e bandeiras, carrosséis, barracas, badalar de sinos, girândolas e fogos de artifício lançados para o alto, ampliando, na direção das torres, o espaço horizontal da praça.
Joana, descalça, vestida de branco, os cabelos de ouro esvoaçando, traz sobre o peito a imagem emoldurada de São Sebastião. Por cima dos ombros, encobrindo-lhe braços , mãos, e tão comprida que quase chega ao solo, estenderam uma toalha de crochê, com figuras de centauro. As setas grossas, no tronco do santo, parecem atravessá-lo, cravar-se firmes em Joana. Por trás, numa fila torta, cantando em altas vozes, com velas acesas, muitas mulheres. A noite de dezembro não caiu de todo, alguma luz diurna resta no ar. Posso ver que os olhos de Joana são azuis e grandes; e que seu rosto, embora desfigurado, pois ela ainda está convalecente, difere de todos que encontrei, firme e delicado a um tempo. Adaga de cristal. (…) Meio cega, ausente das coisas, febril, as pernas mortas.

(Osmar Lins)

Como você pode observar a descrição acima apresenta impressões líricas que formam a imagem de uma mulher enferma. O autor possui uma linguagem moderna que estabeleceu uma alternância entre a concisão das frases nominais com a sinuosidade das frases verbais.
No primeiro parágrafo há frases nominais que formam uma seqüência de enumerações.
Através da adjetivação o autor imprime aspectos visuais: “os olhos de Joana são azuis e grandes.”

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