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Ricardo de Carvalho Ferreira

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Físico-químico brasileiro nascido em Recife, que inovou a química inorgânica com o cálculo das constantes de ionização ácidos oxigenados e um dos químicos teóricos mais importantes do Brasil. Filho do representante comercial Antonio Ferreira e da professora pública Luiza de Carvalho Ferreira, fez o curso primário no Colégio Oswaldo Cruz, e foi aluno de matemática de Hervásio Guimarães de Carvalho, presidente durante muitos anos da Comissão Nacional de Energia Nuclear, no colegial (1945), e de físico-química na escola de engenharia, que percebeu seu potencial par química e física.

Iniciou sua formação superior no curso de química da Universidade de São Paulo, por três anos, e terminou o bacharelado em química na Universidade Católica de Pernambuco (1951). Em seguida, começou a lecionar em colégios, até conseguir (1954) um cargo de professor assistente na UFPE. No ano seguinte, na 7ª Reunião Anual da SBPC, apresentou o trabalho O cálculo das constantes de ionização dos ácidos oxigenados, que mais tarde me serviria como tese de docência (1956), recebendo também o título de D.Sc. pela UFPE.

Com uma bolsa do Conselho Nacional de Pesquisas, o CNPq, foi para o Rio de Janeiro (1957), trabalhar com o Jacques Danon no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, o CBPF. Um ano depois, com uma bolsa de estudos da Fundação Rockefeller, foi para os Estados Unidos, trabalhar com Norman Davidson, desenvolvendo um trabalho experimental em complexos de mercúrio, com adenina, timina, guanina e citosina, no California Institute of Technology, o Caltech.

De volta ao Brasil, participou da equipe de projeto da Universidade de Brasília, convidado por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, que desenvolviam esse projeto no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, o INEP, no Rio de Janeiro. No intercâmbio com a Universidade de Indiana, passou mais dois anos nos EEUU (1963-1964) e com o golpe militar estendeu sua estada na América do Nortepor mais três anos, sendo o último como professor visitante da Universidade de Colúmbia, a convite de Harry Gray, com quem publicou um artigo sobre eletronegatividade.

Retornou ao Brasil (1966) para trabalhar no Centro de Ensino de Ciências do Nordeste, o Cecine, um órgão complementar da universidade financiado pela Fundação Ford, destinado a ministrar cursos de curta duração em vários Estados do Nordeste, dirigidos à formação de professores secundários. Dois anos depois, devido à situação política, aceitou um convite do Earlham College para ensinar química, por ser uma instituição quaker e portanto pacifista. Voltou dos Estados Unidos (1972) e foi convidado pelo professor Marcionilo de Barros Lins, como professor de física na Universidade Federal de Pernambuco.

Iniciou a consolidação do Departamento de Química Fundamental da UFPE (1983), para pesquisas em físico-química e química inorgânica. Autor de uma obra científica significativa no campo da química teórica, pelo número de artigos e trabalhos publicados, devido à importância teórica e bibliográfica de sua obra, foi publicado um número especial da revista Química Nova em sua homenagem (1988).

Aposentado pela UFPE (1994), continuou dedicando-se às pesquisas na área de físico-química, estudando aspectos eletrônicos da ação enzimática e da evolução molecular, como pesquisador do CNPq orientando bolsistas de Mestrado e de Doutorado. Entre as várias honrarias recebidas citam-se a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (1995), o Prêmio Almirante Álvaro Alberto em Química do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1996) e a Medalha Simão Mathias da Sociedade Brasileira de Química (1997).

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