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Manuel Augusto Pirajá da Silva

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Médico e cientista brasileiro, nascido em Camumu, Bahia, de enorme significado para o avanço no tratamento das doenças tropicais, como por exemplo, a identificação do verme causador da esquistossomose. Doutorou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia (1896), defendendo uma tese sobre meningite cerebroespiral epidêmica, exerceu a clínica antes de iniciar a carreira de pesquisador e professor como assistente da cátedra de Clínica Médica (1902). Realizou suas primeiras observações sobre esquistossomose, quando pioneiramente (1904) estudou no Brasil ovos do parasita, eliminados por um doente em Salvador e descobriu e fez completa descrição do Schistosoma mansoni (1908), parasita que provoca no homem a esquistossomose chamada intestinal.

Seguiu para a Europa (1909), a fim de estudar microbiologia no Instituto Pasteur de Paris e no Instituto de Doenças Marítimas e Tropicais de Hamburgo, Alemanha. Diplomou-se como médico colonial pela universidade da capital francesa (1911) e freqüentou o laboratório de parasitologia (1911-1912) da Faculdade de Medicina de Paris. Estudou doenças tropicais no Tropeninstitut de Hamburgo e publicou um notável trabalho descrevendo a cercária da esquistossomose (1912). A partir de então, ocupou o cargo de professor de história natural médica e de Parasitologia, na Faculdade de Medicina da Bahia e o de história natural no Ginásio Baiano (1914), ficando nesta disciplina até a aposentadoria (1935).

Foi nomeado, inspetor sanitário rural (1921) e recebeu a medalha Bernhard Nocht, do Instituto Alemão de Doenças Tropicais, de Hamburgo (1954), e dois anos depois a grã-cruz da Ordem do Mérito Médico, que lhe conferiu o presidente Juscelino Kubitschek, por destacados serviços prestados à ciência e à cultura médica do Brasil. Morreu em Salvador e entre outros feitos científicos realizados por esse cientista ao longo da sua vida, destacaram-se, além da identificação do Schistosoma mansoni ou Schistosoma americanum, a concentração da solução de tártaro emético para o tratamento da leishmaniose e do granuloma venéreo, o registro dos dois primeiros casos de blastomicose na Bahia e a descoberta do Triatoma megista, um dos transmissores da doença de Chagas. 

Observações:

A esquistossomose é uma doença crônica de evolução lenta. A fase aguda implica febre, falta de apetite, tosse, dor de cabeça, suor intenso, enjôo e diarréia com pequenas quantidades de sangue, os sintomas mais comuns. Nos casos crônicos graves, leva à hipertensão na veia porta, insuficiência hepática e tumores. O parasita foi descoberto (1851) pelo médico alemão Theodor Bilharz (1825-1862). No entanto, o descobridor do Schistosoma mansoni foi o cientista brasileiro Manuel Augusto Pirajá da Silva (1873-1961), que morreu antes mesmo que fosse descoberto um medicamento para a doença. O verme causador da esquistossomose intestinal não é nativo do Brasil: chegou por aqui durante o período da escravidão, com os africanos provenientes de regiões endêmicas.

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