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José Manuel Maria Barbosa du Bocage

Poeta pré-romântico português nascido em Setúbal, considerado o maior poeta da língua no século XVIII e conhecido por seu estilo rebelde e satírico, símbolo da irreverência, da frontalidade, da luta contra o despotismo e de um humanismo integral e paradigmático. Era filho do bacharel José Luís Soares de Barbosa, antigo juiz de fora, ouvidor, e depois advogado, e de D. Mariana Joaquina Xavier Lestof du Bocage, de origem francesa, segunda sobrinha da célebre poetisa francesa, madame Marie Anne Le Page du Bocage, tradutora do Paraíso de Milton, imitadora da Morte de Abel, de Gessner, e autora da tragédia As Amazonas e do poema épico em dez cantos A Columbiada, que lhe mereceu a coroa de louros de Voltaire e o primeiro prêmio da academia de Rouen. Na aula régia de gramática do padre espanhol D. João de Medina aprendeu a língua latina. 

Assentou praça de cadete no regimento n.º 7 de infantaria de Setúbal (1779), vindo estudar em Lisboa aos 14 anos de idade. Na Academia Real de Marinha, recebeu a sua educação científica, aperfeiçoou-se na Academia dos Guardas Marinhas, criada em 14 de agosto (1782) e alistou-se na Marinha de Guerra (1783). Nestes sete anos que passou em Lisboa estudou ciências e passou a compor versos. Embarcando para a Índia (1786), viveu em Goa, Damão e Macau, voltando a Lisboa (1790), quando continuou a escrever versos, inicialmente sobre uma desilusão amorosa com uma cunhada e suas dificuldades materiais.

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Foi preso por, na seqüência de uma rusga policial, lhe terem sido debitados panfletos apologistas da revolução francesa e a divulgação de um poema erótico e político, intitulado Pavorosa Ilusão da Eternidade, também conhecido como Carta a Marília (1797), e foi encarcerado no Limoeiro, acusado de crime de lesa-majestade. Moveu influências, sendo, então, entregue à Inquisição, instituição que já não possuía o poder discricionário que anteriormente tivera. Em fevereiro do amo seguinte foi entregue pelo Intendente Geral das Polícias, Pina Manique, ao mosteiro de S. Bento da Saúde, de Lisboa (1798) e um mês depois passou para o hospício de Nossa Senhora das Necessidades dos clérigos de S. Filipe Nery, convento dos oratorianos, para ser reeducado.

Curvando-se às convenções religiosas e morais da época, foi finalmente libertado no final daquele ano. Ao voltar à liberdade, aceitou (1800) a proposta que lhe fez o naturalista brasileiro, o padre José Mariano da Conceição Veloso para, mediante um ordenado mensal, fazer as traduções para a Tipografia Calcográfica do Arco do Cego, por ele dirigida. Nessa nova empreitada; um trabalho penosíssimo e de máxima responsabilidade, saiu-se brilhantemente, tornando-se numa das fases mais gloriosas do poeta. Traduziu vários poemas didáticos como Os Jardins de Delille e As Plantas, de Castel, A Agricultura, de Roset, e O Consorcio das Flores, epístola de Lacroix. Além dos poemas franceses, também traduziu vários poetas latinos e italianos.

Os últimos cinco anos, que precederam a sua morte, foram bem dolorosos para o infeliz poeta, agitados de terrores e ansiedades, vendo-se pobre e doente. Em função de uma vida pouco regrada que levara sua saúde debilitou-se rapidamente no seu último ano de vida (1805). Mesmo doente ainda publicou Os improvisos e os Novos improvisos, escritos já durante a enfermidade. Com apenas 40 anos, faleceu na Travessa de André Valente, em Lisboa, perante a comoção da população em geral e foi sepultado na Igreja das Mercês.

Considerado como um dos melhores poetas lusitanos, e depois de Camões o mais popular e celebrado de todos, sendo suas publicações pessoais mais conhecidas o 1.º volume de Rimas, os Queixumes do pastor Elmano (1791), os Idyllios maritimos (1791), o 2.º tomo das Rimas (1799) e o 3.º (1804). De uma personalidade plural, para muitas gerações, encarnou o símbolo da irreverência, da frontalidade, da luta contra o despotismo e de um humanismo integral e paradigmático, e seus versos eróticos e burlescos circularam mundialmente e por muito tempo, em edições clandestinas.

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