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Alfredo de Freitas Dias Gomes

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Romancista, contista e teatrólogo brasileiro nascido em Salvador, BA, um dos maiores dramaturgos brasileiros e de enorme sucesso no rádio, televisão, cinema e teatro, um dos mais premiados autores brasileiros. Filho do engenheiro Plínio Alves Dias Gomes e de Alice Ribeiro de Freitas Gomes, fez o curso primário no Colégio Nossa Senhora das Vitórias, dos Irmãos Maristas, e iniciou o secundário no Ginásio Ipiranga. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro (1935), onde prosseguiu o curso secundário no Ginásio Vera Cruz e posteriormente no Instituto de Ensino Secundário.

Com apenas 15 anos escreveu sua primeira peça, A comédia dos moralistas, que ganhou o 1o lugar no Concurso do Serviço Nacional de Teatro (1939). Fez o curso preparatório para o curso de Engenharia (1940) e, no ano seguinte, para o curso de Direito. Ingressou na Faculdade de Direito do Estado do Rio, mas abandonou o curso no 3o ano (1943). Seu primeiro sicesso nacional de de público e crítica foi a comédia Pé de cabra (1942), ano de sua estréia no teatro profissional, encenada no Rio de Janeiro e depois em São Paulo por Procópio Ferreira, que com ele excursionou por todo o país.

Passou a trabalhar na Rádio Pan-Americana de São Paulo (1944), a convite de Oduvaldo Viana (pai), como autor e diretor, fazendo adaptações de peças, romances e contos para o Grande Teatro Pan-Americano. Regressou ao Rio de Janeiro (1948), onde passou a trabalhar em várias rádios, sucessivamente: Rádio Tupi e Rádio Tamoio (1950), Rádio Clube do Brasil (1951) e Rádio Nacional (1956). Viajou à União Soviética (1953) com uma delegação de escritores, para as comemorações do 1o de Maio e, ao voltar ao Brasil, foi demitido da Rádio Clube. Seu nome foi incluído na lista negra, e durante nove meses seus textos para a televisão tiveram que ser negociados com a TV Tupi em nome de colegas.

Ganhou projeção nacional e internacional com a encenação do clássico O pagador de promessas, pelo Teatro Brasileiro de Comédia, sob direção de Flávio Rangel (1959) e com Leonardo Vilar no papel principal. Poucas obras, no Brasil, foram tão premiadas quanto O pagador de promessas. A peça foi traduzida para mais de uma dúzia de idiomas e encenada em todo o mundo. Adaptada pelo próprio autor para o cinema, O pagador de promessas, dirigido por Anselmo Duarte, recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes (1962), além de outros prêmios nacionais e internacionais, como o Nacional de Teatro, do Instituto Nacional do Livro, o Governador do Estado de São Paulo, o Padre Ventura, do Círculo Independente de Críticos Teatrais, o Melhor Autor Brasileiro, da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, o Governador Estado da Guanabara, o III Festival Internacional de Teatro em Kaltz, Polônia (1963), e o Prêmio Fipa de Prata, de Cannes (1988).

Recebeu o Prêmio Cláudio de Sousa, da Academia Brasileira de Letras, com a peça A invasão (1963). Demitido da Rádio Nacional (1964), da qual era diretor-artístico, pelo Ato Institucional no 1, a partir de então, participou de diversas manifestações contra a censura e em defesa da liberdade de expressão. Durante a vigência do regime militar teve várias peças censuradas (1968-1980), como O berço do herói, A revolução dos beatos, O pagador de promessas, A invasão, Roque Santeiro, Vamos soltar os demônios e Amor em campo minado. Fez parte do Conselho de Redação da Revista Civilização Brasileira desde seu lançamento (1965).

Contratado pela TV Globo (1969), produziu várias telenovelas, além de minisséries, seriados e especiais como telepeças. Apesar da censura, não interrompeu a produção teatral, destacando-se Vargas (1969), O bem-amado (1970), O santo inquérito (1976) e O rei de Ramos (1979). Anistiado (1980), foi reintegrado aos quadros da Rádio Nacional, e seus trabalhos censurados foram liberados para apresentação. Criou e dirigiu (1985-1987) a Casa de Criação Janete Clair, na TV Globo. Foi casado e ficou viúvo (1983) Janete Emmer, a novelista Janete Clair (1950-1983), com quem teve cinco filhos: Guilherme, Alfredo (falecido), Denise, Alfredo e Marcos Plínio (falecido). Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (1991), para a Cadeira n. 21, na sucessão de Adonias Filho, foi recebido pelo acadêmico Jorge Amado.

Morreu em São Paulo SP, em 18 de maio (1999) num acidente de carro. Na sua imensa obra encontra-se no teatro A comédia dos moralistas (1939), Esperidião (1938), Ludovico (1940), Amanhã será outro dia (1941), Pé-de-cabra (1942), João Cambão (1942), O homem que não era seu (1942), Sinhazinha (1943), Zeca Diabo (1943), Eu acuso o céu (1943), Um pobre gênio (1943), Toque de recolher (1943), Doutor Ninguém (1943), Beco sem saída (1944), O existencialismo (1944), A dança das horas (1949), O bom ladrão (1951), Os cinco fugitivos do Juízo Final (1954), O pagador de promessas (1959), A invasão (1960), A revolução dos beatos (1961), O bem-amado (1962), O berço do herói (1963), O santo inquérito (1966), O túnel (1968), Vargas (1968), Amor em campo minado (1969), As primícias (1977), Phallus (1978), O rei de Ramos (1978), Campeões do mundo (1979), Olho no olho (1986) e Meu reino por um cavalo (1988).

Na televisão as telenovelas A ponte dos suspiros, sob o pseudônimo de Stela Calderón (1969), Verão vermelho (1969/1970), Assim na terra como no céu (1970/1971), Bandeira 2 (1971/1972), O bem-amado (1973), O espigão (1974), Saramandaia (1976), Sinal de alerta (1978/1979), Roque Santeiro (1985/1986), Mandala (1987/1988), Araponga, com Ferreira Gullar e Lauro César Muniz (1990/1991); as minisséries Um tiro no coração, em co-autoria com Ferreira Gullar, inédita (1982), O pagador de promessas (1988), Noivas de Copacabana (1993), Decadência (1994) e O fim do mundo (1996); os seriados O bem-amado (1979/1984) e Expresso Brasil (1987); os especiais O bem-amado (1964), em adaptação de Benjamin Cattan, Um grito no escuro (1971), O santo inquérito (1979), O boi santo (1988) e A longa noite de Emiliano, inédita.

Ainda escreveu os romances Duas sombras apenas (1945), Um amor e sete pecados (1946), A dama da noite (1947), Quando é amanhã (1948), Sucupira, ame-a ou deixe-a (1982), Odorico na cabeça (1983), Derrocada (1994) e Decadência (1995) e os contos A tarefa ou Onde estás, Castro Alves? (1967) e A tortuosa e longa noite de Emiliano Posada, inédito. Para o cinema, além do Pagador de Promessas, O marginal (roteiro), O rei do Rio, adaptação de O rei de Ramos (1985) e Amor em campo minado (1988). Sua obra escrita foi reunida na COLEÇÃO DIAS GOMES, coordenação de Antonio Mercado, composta dos seguintes volumes: 1 Os heróis vencidos (1989), 2 Os falsos mitos (1990), 3 Os caminhos da revolução (1991), 4 Espetáculos musicais (1992), 5 Peças da juventude (1994), 6 Rádio e TV e 7Contos.

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