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Alberto Carvalho da Silva

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Médico e fisiologista luso-brasileiro nascido no Porto, Portugal, que se notabilizou no Brasil e no exterior, por seus estudos na área de nutrição, e que durante toda a trajetória como pesquisador e acadêmico, revelou-se também, um defensor da ciência e dos cientistas brasileiros. Chegou ao Brasil ainda criança e durante os anos 20, morou em porões e cortiços de São Paulo. Formou-se na Faculdade de Medicina da USP (1940) e, no ano seguinte, entrou para o Departamento de Fisiologia da Universidade de São Paulo, primeiro como assistente e depois como livre-docente (1954), professor-adjunto (1960) e professor catedrático (1964).

Durante este período foi bolsista pela Fundação Rockefeller, nos Estados Unidos, em três oportunidades: no Departamento de Nutrição da Universidade Yale (1946-1947), no Departamento de Fisiologia da Universidade de Chicago (1959) e no Departamento de Nutrição do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT -1960). Diretor científico do CTA da Fapesp (1968-1969), da qual foi um dos idealizadores, com a edição do famigerado Ato Institucional nº 5, foi afastado compulsoriamente da USP (1969). Foi então contratado pela Fundação Ford como consultor técnico em ciência, tecnologia e nutrição, e trabalhou nos escritórios da Fundação no Rio de Janeiro, Santiago do Chile e Lima (1969-1980). Também trabalhou para o Banco Mundial como consultor em programas de nutrição no Brasil (1974-1979), na Indonésia (1979) e no México (1982), e no Sub-comitê de Nutrição da ONU (1979-1983).

Foi ainda consultor da Universidade das Nações Unidas em Moçambique e Angola (1981). Já então beneficiado com a anistia política havia se reintegrado à USP (1980), tornou-se diretor do Departamento de Fisiologia do Instituto de Ciências Biomédicas e diretor presidente da Fapesp (1984-1993). Aposentou-se (1993), tornou-se (1994) Professor emérito da USP e professor honorário do Instituto de Estudos Avançados da Universidades de São Paulo (IEA-USP), onde coordenou a área de Política Científica e Tecnológica (1994-2001), além de participar de várias atividades em comissões de alto nível, como as que elaboraram o documento A Presença da Universidade Pública (1998) e o Código de Ética da USP (2000-2001).

Presidente de honra da SBPC, foi autor de mais de 40 trabalhos de natureza experimental na área de nutrição, publicados em periódicos nacionais e internacionais, e de 53 trabalhos experimentais apresentados em reuniões científicas no país e no exterior. Sempre preocupado com o desenvolvimento de uma política científica e tecnológica e industrial brasileira e a relação universidade-empresa, voltada para a saúde, segurança alimentar e nutrição, só diminuiu suas atividades quando sua saúde começou a se debilitar (2001) morrendo no ano seguinte, em São Paulo (SP), aos 85 anos.

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